Ingles Transformar

El UEA-vikio

Iri al: navigado, serĉi

Inglês para transformar todo o mundo dos estudantes.

Nota de esclarecimento sobre o Relatório da conferência Anglo-Americana de 1961[1]

Robert Phillipson (Copenhagen Business School, Dinamarca) http://www.cbs.dk/staff/phillipson

Em meu livro Linguistic imperialism[2] (Oxford University Press, 1992), analiso o modo como o idioma inglês tornou-se tão poderoso em todo o mundo. Para o livro, usei quantidade considerável de documentos das políticas britânicas e norte-americanas orientadas para promover o inglês como instrumento-chave de política exterior.

Desde os anos 40, os EUA têm políticas explícitas para estabelecer domínio global, com financiamento massivo pelo governo e pelo setor privado. Por exemplo, em meados da década dos 60, a Fundação Ford subvencionava projetos para fortalecer o inglês em 38 países. Livro recentemente editado sobre a ‘Guerra Fria cultural’ descreve as atividades da CIA na Europa, no esforço para influenciar professores, jornalistas e o mundo cultural.

O Conselho Britânico foi o instrumento-chave para a diplomacia cultural e para o ensino do inglês em todo o mundo. Desde os anos 50, está ativa uma estratégia britânica para fazer do inglês uma ‘língua mundial’, a segunda língua chave, quando já não for a primeira.

Obviamente, foi necessário que britânicos e norte-americanos coordenassem seu envolvimento no processo de construir o ensino do inglês em todo o mundo. Tiveram de ser construídas a infra-estrutura da universidade para ‘Inglês como segunda língua’ e a nova especialização, “Lingüística Aplicada”, praticamente desde o esboço inicial.

Os governos tiveram de reduzir o fator de competição entre os dois países, os quais, como disse George Bernard Shaw, são “divididos por uma língua comum”. Os EUA e o Reino Unido visavam a metas similares. Tinham de trocar informação sobre treinamento para professores, desenvolvimento de currículos e material didático, políticas educacionais para escolas e universidades.

As atividades dos britânicos foram discutidas numa conferência em Oxford, em 1955, para a qual o governo norte-americano foi convidado a mandar delegados. Em 1959 foi realizada uma reunião em Washington DC, da qual participaram cinco convidados britânicos. Relatório detalhado foi publicado pelo Center for Applied Linguistics – Proceedings of the Conference on Teaching English Abroad. May 1959.

A reunião seguinte aconteceu em Cambridge em 1961, outra vez com participantes norte-americanos. Diferente da reunião de 1959, não se publicou nenhum relatório para conhecimento público. Tive acesso, autorizado a citar em meu livro, a um relatório interno, confidencial, escrito pelo Conselho Britânico. O objetivo desse relatório era demonstrar que o campo de estudos do ensino do inglês em todo o mundo estava conquistando respeitabilidade acadêmica dos dois lados do Atlântico, e merecia receber maior financiamento governamental. Era documento para circulação interna; assim, podia ser mais claro e mais explícito sobre os objetivos políticos, do que os relatórios de especialistas quando discutem temas profissionais.

Participantes-chave declararam o seguinte, lá citados:

“O ensino do inglês a falantes não-nativos pode transformar permanentemente todo o mundo dos estudantes.”

“Se e quanto uma nova língua torna-se realmente operante em país subdesenvolvido, reestrutura-se o mundo dos estudantes.”

“Um Ministro da Educação – sob pressões nacionalistas – pode não ser bom juiz dos interesses de um país (...). Um espírito nacionalista pode destruir toda e qualquer esperança de o inglês ser segunda língua.”

O inglês tornou-se não apenas uma representação do pensamento e do sentimento contemporâneo em língua inglesa, mas tornou-se também veículo de todo o desenvolvimento da tradição humana: o que de melhor (e de pior) já foi pensado e sentido pelo ser humano em todos os tempos, desde o início da história.

Essa é a justificação para o imperialismo lingüístico do inglês, para todos os seres humanos em todos os tempos. Segundo essa idéia, o inglês é a única língua necessária para o mundo moderno. Também segundo essa idéia, pode acontecer de países que se tornem independentes serem ‘manipulados’ – por razões ‘nacionalistas’ – e passarem a resistir ao inglês; nesses casos, esses desejos ‘nacionais’ têm de ser controlados; e tudo isso para defender os interesses políticos e comerciais dos países falantes do inglês.

Essa política é um plano para expandir para todo o mundo, as políticas de ensino monolíngüe que foram implementadas no Reino Unido e nos EUA nos séculos XIX e XX (políticas que foram bem-sucedidas em reduzir, embora não tenham conseguido eliminar, a diversidade lingüística).

Essa posição é muito semelhante à que na França, desde a Revolução Francesa. Os esforços franceses para promover o francês como língua mundial, em concorrência contra britânicos e norte-americanos, são discutidos em Daniel Coste, Aspects d’une politique de diffusion du français langue étrangère depuis 1945, matériaŭ pour une histoire (Hatier, 1984).


Traduzido do inglês, por Caia Fittipaldi, lingüista, do Partido Comunista do Brasil (PCdoB) e dos Lingüistas Brasileiros para a Democracia (associação informal de vizinhos, da Vila Madalena, São Paulo-SP, Brasil), a partir do original em inglês para a revista "LA SAGO" - SAT - França, fevereiro 2005. Pede-se que o texto não seja alterado. Tradução autorizada pelo autor, para finalidades não comerciais. Correções e comentários são bem-vindos para caia.fittipaldi @ uol.com.br.


[1] Or. "English to transform the students' whole world'. A clarification of the 1961 Anglo-American conference report". Robert Phillipson, Copenhagen Business School, Denmark (http://www.cbs.dk/staff/phillipson). Revue La Sago. Fev.Mar/2004. Na Internet, em http://satamikarohm.free.fr/sommaire.php3 )

[2] Sobre o livro, ver http://www.oup.co.uk/isbn/0-19-437146-8 (lê-se o índice).


Personaj iloj